quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Em defesa dos índios, no Brasil

Há homens que vêem para além do seu tempo.Trago-vos hoje um texto de Padre António Vieira, mais exactamente o excerto de uma carta que, do Maranhão, no Brasil, dirigiu ao rei D. João IV, com data de 20 de Maio de 1653:
[...] Os índios que moram em suas aldeias com títulos de livres são muito mais cativos que os que moram nas casas particulares dos portugueses, só com uma diferença, que cada três anos têm um novo senhor, que é o governador ou capitão-mor que vem a estas partes, o qual se serve deles como de seus e os trata como alheios; em que vêm a estar de muito pior condição que os escravos, pois ordinariamente se ocupam em lavouras de tabaco, que é o mais cruel trabalho de quantos há no Brasil. Mandam-nos servir violentamente a pessoas e em serviços a que não vão senão forçados, e morrem lá de puro sentimento; tiram as mulheres casadas das aldeias, e põem-nas a servir em casas particulares, com grandes desserviços de Deus e queixas de seus maridos, que depois de semelhantes jornadas muitas vezes se apartam delas; não lhes dão tempo para lavrarem e fazerem suas roças, com que eles, suas mulheres e seus filhos padecem e perecem; enfim, em tudo são tratados como escravos, não tendo a liberdade mais que no nome, pondo-lhes nas aldeias por capitães alguns mamelucos ou homens de semelhante condição, que são os executores destas injustiças, com que os tristes índios estão hoje quase acabados e consumidos; [...]As causas deste dano bem se vê que não são outras mais que a cobiça dos que governam, muitos dos quais costumam dizer que V.M. os manda cá para que se venham remediar e pagar de seus serviços, e que eles não têm outro meio de o fazer senão este. [...]

Discurso Político de Pedro Duarte

Escola Pública

Quem acompanha a política educativa deste governo deverá perguntar:Por que será que o Governo acabou com as provas globais no 9º ano? Por que lançou cursos de jogador de futebol que dão equivalência a esse 9º ano? Por que impôs um novo Estatudo do aluno em que ninguem reprova mesmo que falte sempre às auas? Por que impôs um novo Estatuto do aluno em que desqualificou os professores, afectando a sua autoridade e a sua capacidade para exigentes com os aunos? Por que avisou as escolas que seria, melhor avaliadas se chumbassem menos alunos? Porque acabou com 0o exame de Filosofia no 12º ano? Porque condicionou a avaliação e progressão na carreira dos professores, fazendo-as depender de notas que dão aos alunos na avaliação contínua? Porque decretou, este ano, mais 30minutos de tolerância em todos os exames nacionais? Por que disse a ministra publicamente que as reprovações custavam muito dinheiro ao bolso dos contribuintes? Porque revoltou tão abnegadamente contra todos os peritos, especialistas, professores, associações de pais e sociedades científicas que denunciaram que os exames nacionais deste ano eram "anormalmente" fáceis? A resposta chegou esta semana com a encenação mediática em que o primeiro-ministro se vanglorizou- imagine-se-da enorme redução do número de reprovações! A máscaracaiu. Assim se esgota toda uma política de Educação. E assim se cria um verdadeiro manual de destruição da escola pública!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Publicidades de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa dedicou-se à publicidade e para demonstrar tal, temos os seguintes slogans:

  • Texto de promoção das tintas Berry/Loid do qual se transcreve o diálogo seguinte:

"-Eu explico como foi (disse o homem triste que estava com uma cara alegre), eu explico como foi..."

"Quando tenho um automóvel, limpo-o. Limpo-o por diversas razões: para me divertir, para fazer exercício, para ele não ficar sujo."

"O ano passado comprei um carro muito azul. Também limpava esse carro. Mas cada vez que o limpava, ele teimava em se ir embora. O azul ia empalidecendo, e eu e a camurça é que ficávamos azuis. Não riam... A camurça ficava realmente azul: o meu carro ia passando para a camurça. Afinal, pensei, não estou limpando este carro: estou o desfazendo."

"Antes de acabar um ano, o meu carro estava metal puro: não era um carro, era uma anemia. O azul tinha passado para a camurça. Mas eu não achava graça a essa transfusão de sangue azul."

"Vi que tinha que pintar o carro de novo. Foi então que decidi orientar-me um pouco sobre esta questão dos esmaltes. Um carro pode ser muito bonito, mas, se o esmalte com que está pintado tiver tendência para a emigração, o carro poderá servir, mas a pintura é que não serve. A pintura deve estar pegada, como o cabelo, e não sujeita a uma liberdade repentina, como um chinó. Ora o meu carro tinha um esmalte chinó, que saía quando se empurrava."

"Pensei eu: quem será o amigo mais apto a servir-me de empenho para um esmalte respeitável?
Lembrei me que deveria ser o Bastos, lavadeira de automóveis com uma Caneças de duas portas nas Avenidas Novas. Ele passa a vida a esfregar automóveis, e deve portanto saber o que vale a pena esfregar."

"Procurei-o e disse-lhe: Bastos amigo, quero pintar o meu carro de gente. Quero pintá-lo com um esmalte que fique lá, com um esmalte fiel e inseparável. Com que esmalte é que hei de pintar?:"

"-Com Berry/Loid.- respondeu o Bastos- E só uma criatura muito ignorante é que tem a necessidade de me vir aqui maçar com uma pergunta a que responderia do mesmo modo o primeiro chauffeur que soubesse a diferença entre um automóvel e uma lata de sardinhas"

  • "Primeiro estranha-se, depois entranha-se", Fernando Pessoa transcreve a forma mais original de chamar a atenção do público para aderirem à COCA-COLA.

(Slogan da Coca-cola)

  • "Uma cinta Pompadour veste bem e ajuda sempre a vestir bem.
    Seja qual for a linha da moda na Toilette feminina é sempre indispensável uma cinta Pompadour."

(Cintas Pompadour)