sábado, 17 de janeiro de 2009

Alexandre Herculano



Alexandre Herculano nasceu em Lisboa em 28 de Março de 1810 e faleceu em sua quinta de Vale de Lobos a 13 de Setembro de 1877, foi um escritor da era do romantismo, um historiador, um jornalista, e um poeta português. Juntamente com Almeida Garrett, é considerado responsável pela introdução e pelo desenvolvimento da narrativa histórica em Portugal, incrementando os temas da incompatibilidade do homem com o meio social.


Herculano deixou ensaios sobre diversas questões polémicas da época, que se somam à sua intensa actividade jornalística. A parte mais significativa da obra literária de Herculano se concentra em seis textos em prosa, dedicados principalmente ao género conhecido como narrativa histórica. Esse tipo de narrativa combina a erudição do historiador, necessária para a minuciosa reconstituição de ambientes e costumes de épocas passadas, com a imaginação do escritor, que cria ou amplia tramas para compor seus enredos.


Através da narrativa de carácter histórico de alguns escritores como Walter Scott e Vítor Hugo, desenvolveu a narrativa histórica de Herculano, que pode ser considerada o ponto inicial para o desenvolvimento da prosa de ficção moderna em Portugal.


As Lendas e Narrativas são formadas por textos mais ou menos curtos, que se podem considerar contos e novelas. Herculano abordou vários períodos da história da Península Ibérica. É evidente a preferência do autor pela Idade Média, época em que, segundo ele, se encontravam as raízes da nacionalidade portuguesa.


O trabalho literário de Herculano foi, juntamente com as Viagens na Minha Terra, de Garrett, o ponto inicial para o desenvolvimento da prosa de ficção moderna em Portugal. Assim, a partir disto, as narrativas históricas foram gradativamente enfocando épocas cada vez mais próximas do século XIX.

Bernardim Ribeiro – Menina e Moça


Bernardim Ribeiro, escritor português renascentista terá nascido em Alcácer do Sal por volta de 1482 e morto a 1552 em Lisboa. Sabe-se que em 1507-1511 estudou na Universidade de Lisboa, sendo em 1524 nomeado Escrivão da Câmara. Frequentou a corte de Lisboa, onde colaborou no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende.


Bernardim foi o introdutor do bucolismo em Portugal. Chegaram até nós cinco éclogas, uma sextina (A sextina é um poema que apresenta um dos sistemas estróficos mais difíceis e raros) e a novela Saudade, mais conhecida por Menina e Moça, publicada pela primeira vez em 1554, na cidade de Ferrara (Itália), sob a orientação do judeu português exilado Abraão Usque. Os temas das suas obras giram em torno da infelicidade amorosa.


MENINA E MOÇA


"Menina e moça me levaram de casa de minha mãe para muito longe (…)"


Menina e Moça, romance de Bernardim Ribeiro, inacabado e editado por três vezes:


1º: Em 1554 (Ferrara, com o título História de Menina e Moça);


2º: 1557-58 (Évora, com o título Saudades);


3º: 1559 (Colónia, a partir da 1.ª edição), após 2 anos da segunda edição.


O texto representa uma convergência de tópicos ficcionais, quer no plano da história literária (agregando ingredientes da novela de cavalaria, do romance pastoril e da novela sentimental), quer no plano do conteúdo (pela conversão a um lugar de encontro, feminino e lamentoso, da Menina - que inicia o livro com um monólogo de evocação de deslocação e de mudança de vida - com uma Senhora, com a qual discute histórias de amores infelizes, que se intercalam na acção central da ficção).


Amor, natureza, mudança e distância são as constantes semânticas deste livro, o primeiro na literatura portuguesa a desprender-se relativamente das convenções da fantasia contemporânea para assumir o estatuto de narrativa feminina da solidão e da saudade, e de texto de análise incisiva e minuciosa do sentimento amoroso, na sua lapida de consagração dedicada e dolorida.