quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Em defesa dos índios, no Brasil
[...] Os índios que moram em suas aldeias com títulos de livres são muito mais cativos que os que moram nas casas particulares dos portugueses, só com uma diferença, que cada três anos têm um novo senhor, que é o governador ou capitão-mor que vem a estas partes, o qual se serve deles como de seus e os trata como alheios; em que vêm a estar de muito pior condição que os escravos, pois ordinariamente se ocupam em lavouras de tabaco, que é o mais cruel trabalho de quantos há no Brasil. Mandam-nos servir violentamente a pessoas e em serviços a que não vão senão forçados, e morrem lá de puro sentimento; tiram as mulheres casadas das aldeias, e põem-nas a servir em casas particulares, com grandes desserviços de Deus e queixas de seus maridos, que depois de semelhantes jornadas muitas vezes se apartam delas; não lhes dão tempo para lavrarem e fazerem suas roças, com que eles, suas mulheres e seus filhos padecem e perecem; enfim, em tudo são tratados como escravos, não tendo a liberdade mais que no nome, pondo-lhes nas aldeias por capitães alguns mamelucos ou homens de semelhante condição, que são os executores destas injustiças, com que os tristes índios estão hoje quase acabados e consumidos; [...]As causas deste dano bem se vê que não são outras mais que a cobiça dos que governam, muitos dos quais costumam dizer que V.M. os manda cá para que se venham remediar e pagar de seus serviços, e que eles não têm outro meio de o fazer senão este. [...]
Discurso Político de Pedro Duarte
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Publicidades de Fernando Pessoa
Fernando Pessoa dedicou-se à publicidade e para demonstrar tal, temos os seguintes slogans:
- Texto de promoção das tintas Berry/Loid do qual se transcreve o diálogo seguinte:
"-Eu explico como foi (disse o homem triste que estava com uma cara alegre), eu explico como foi..."
"Quando tenho um automóvel, limpo-o. Limpo-o por diversas razões: para me divertir, para fazer exercício, para ele não ficar sujo."
"O ano passado comprei um carro muito azul. Também limpava esse carro. Mas cada vez que o limpava, ele teimava em se ir embora. O azul ia empalidecendo, e eu e a camurça é que ficávamos azuis. Não riam... A camurça ficava realmente azul: o meu carro ia passando para a camurça. Afinal, pensei, não estou limpando este carro: estou o desfazendo."
"Antes de acabar um ano, o meu carro estava metal puro: não era um carro, era uma anemia. O azul tinha passado para a camurça. Mas eu não achava graça a essa transfusão de sangue azul."
"Vi que tinha que pintar o carro de novo. Foi então que decidi orientar-me um pouco sobre esta questão dos esmaltes. Um carro pode ser muito bonito, mas, se o esmalte com que está pintado tiver tendência para a emigração, o carro poderá servir, mas a pintura é que não serve. A pintura deve estar pegada, como o cabelo, e não sujeita a uma liberdade repentina, como um chinó. Ora o meu carro tinha um esmalte chinó, que saía quando se empurrava."
"Pensei eu: quem será o amigo mais apto a servir-me de empenho para um esmalte respeitável?
Lembrei me que deveria ser o Bastos, lavadeira de automóveis com uma Caneças de duas portas nas Avenidas Novas. Ele passa a vida a esfregar automóveis, e deve portanto saber o que vale a pena esfregar."
"Procurei-o e disse-lhe: Bastos amigo, quero pintar o meu carro de gente. Quero pintá-lo com um esmalte que fique lá, com um esmalte fiel e inseparável. Com que esmalte é que hei de pintar?:"
"-Com Berry/Loid.- respondeu o Bastos- E só uma criatura muito ignorante é que tem a necessidade de me vir aqui maçar com uma pergunta a que responderia do mesmo modo o primeiro chauffeur que soubesse a diferença entre um automóvel e uma lata de sardinhas"
- "Primeiro estranha-se, depois entranha-se", Fernando Pessoa transcreve a forma mais original de chamar a atenção do público para aderirem à COCA-COLA.
(Slogan da Coca-cola)
- "Uma cinta Pompadour veste bem e ajuda sempre a vestir bem.
Seja qual for a linha da moda na Toilette feminina é sempre indispensável uma cinta Pompadour."
(Cintas Pompadour)
sábado, 27 de setembro de 2008
AS ESTAÇÕES DA VIDA

Já lá se encontrava Raquel aconchegada, então preparei-lhe um chocolate quente e sentei-me ali a fazer-lhe companhia.
Raquel estava com um ar muito estranho e pensativo, e foi nesse momento que resolvi perguntar-lhe o que se passava:
- Raquel meu amor, porque estas com um ar tão pensativo? – E lá continuava ela a olhar para o vazio sem responder à minha pergunta, como se não estivesse ali. Resolvi esperar alguns instantes para ver se ela dizia algo. Repentinamente, ela disse-me algo que já se esperava:
- Vó, eu queria saber porque é que todos temos que crescer! Não podemos ficar pequenos?
- Minha filha, sabe há perguntas que nos põem a pensar por muito tempo mesmo que não queiramos. Olha, vou te dar um exemplo, já vistes aquelas folhas secas que estão a cair daquelas árvores? – Apontando para a janela lhe mostrei uma árvore a perder as suas folhas.
- Sim vó, estou a ver, mas o que elas respondem à minha pergunta? – Perguntou com um ar muito confuso.
- Tem muito que explicar aquelas folhas. Bem! Imagina que tu és uma daquelas folhas, e que te chamas folhinha Raquel. A tua vida tem quatro estações (…) – tentando prosseguir com minha explicação, fui interrompida por ela:
- Oh avó, explica tudo de uma vez só, já não seio que pensar! – Disse com uma expressividade muito engraçada, característica dela.
- AHAHAH(…) – Ri-me até não poder mais. – Mas minha filha, tem que ser contado da melhor forma possível para poderes perceber alguma coisa.
- Eu só quero saber a resposta, estou confusa, parece que estas a falar chinês para mim!
- Vou te explicar tudo de forma a ficares bem esclarecida, mas tens que prometer que me ouves sem interromper. Estamos entendidas?
- Claro avó, tens toda a razão.
- Muito bem! Cá vamos nós continuar o que deixamos a meio.
A folhinha Raquel vai nascer na primavera sendo muito pequenina e frágil, mas ao mesmo tempo cheia de vida, assim como tu minha linda. Depois como essa folhinha “comeu” muito oxigénio teve que crescer, tornando-se numa jovem e bela folha, mas com o passar do tempo essa bela folha foi amadurecendo e mudando a sua cor para castanho como aquelas que estão lá fora. Por fim a folhinha Raquel, que já não é mais folhinha, cai da árvore para dar vida a outra folhinha.
- Mas avó, as folhas caem muito depressa. Então e porque ainda estas viva?
- Essa pergunta é muito interessante de facto. Pois é, mas o ser humano vive muitos anos pois tem a capacidade para tal.
- Que interessante avó é muito bom viver, eu gosto muito.
terça-feira, 27 de maio de 2008
A Correspondência de Fradique Mendes
Pela recordação que levaremos

Até sem alegria ou amor,
se acariciam.
Amavelmente sem simplicidade ou ternura,
se rodeiam.
Neste primeiro movimento sobre multidões,
Nem apesar disso
que me sustento.
Encontro a encantadora
felicidade perante teus olhos.
Todavia brilhas
tu meu amigo certo.
Nós temos bons momentos,
pela recordação que levaremos.
sábado, 12 de abril de 2008
Alunos agridem professores

Os professores são os mais afectados por essa revolta pois cumprem-nas.
A lei mais polémica entre os alunos é a proibição dos telemóveis.
Os telemóveis são cada vez mais utilizados nas salas de aula. Os professores não aceitam estes comportamentos, sendo obrigados a castigá-los.
O problema dos alunos é não aceitarem as ordens dadas pelos professores.
Como sabemos, os professores devem ser respeitados, mas também respeitadores.
O problema tem sido bem grande, os professores agredidos verbalmente e fisicamente.
Mudando suas atitudes perante os alunos, os professores guanharam mais respeito.
Resumidamente, os professores devem ser cautelosos em relação aos alunos.
segunda-feira, 10 de março de 2008
O que os "mass media" transmite?
Os meios de comunicação têm contribuído para uma mudança na mentalidade e nas opiniões das pessoas fazendo com que se adaptem a realidade de nossos dias.
Por exemplo a televisão, que de certa forma as populações se vêem constrangidas com esta visão do mundo, tendo uma opinião negativa da realidade que nos é transmitida, desse lado negro do mundo que por vezes nos trazem dúvidas acerca de nossas atitudes perante algumas situações.
O problema de nossos dias em relação à televisão é o que nos é transmitido, que por sua vez são sempre situações de desastre. As populações têm pensamentos negativos pois é raro ver acontecimentos de grande contentamento ou mesmo de contentamento para quase todos.
Os acontecimentos agradáveis estão à vista daqueles que queiram ver, basta saber procura-las e transmiti-las de forma adequada.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Florbela Espanca
Em 1903 Florbela Espanca escreveu a primeira poesia de que temos conhecimento, "A Vida e a Morte". Estudou no Liceu André Gouveia em Évora até 1912, onde passado alguns anos voltou para terminar seu curso em Letras em 1917, inscrevendo-se a seguir para cursar Direito, sendo a primeira mulher a frequentar este curso na Universidade de Lisboa, onde foi das primeiras mulheres a entrar num curso superior.
Casou três vezes, o que fez com que a poetisa olhasse a poesia de outra forma, publicando o Livro de Mágoas em 1919; O Livro de Soror Saudade é publicado em 1923.
A morte do irmão, Apeles (num acidente de avião), abala-a gravemente e inspira-
a para a escrita de As Máscaras do Destino, mas abalada pela grande tragica tentou o suicídio por duas vezes. Após o diagnóstico de um edema pulmonar, suicida-se no dia do seu aniversário, 8 de Dezembro de 1930, utilizando uma dose elevada de veronal. O seu último livro "Charneca em Flor" foi publicado em Janeiro de 1931.Desde pequena, mostrou a sua imaginação através de seu primeiro poema, demonstrando a sua capacidade e maturidade.
É certamente de relembrar que Florbela Espanca foi uma grande mulher, pois foi através dela que a mulher passou a ser vista de outra forma, houve uma emancipação da mulher.
O que é a poesia?
Todos nós temos escondido uma grande alma poetica, imaginária e sonhadora.
Para se ser poeta não é necessário se tornar de grande importância, mas sim desencadear aquela alma poetica que está dentro de nós, e que sabe que o que escreve é poesia, apenas a sua poesia, não tão importante para outros , mas sim para si mesmo. Cada um faz da poesia o que acha o que ela é para tal.

